Conheça os tecidos tecnológicos que combatem a celulite e mais!

Roupas que não molham e repelem insetos, calças que combatem a celulite e camisas que previnem odores. Tudo isso existe e está disponível no mercado a preços razoavelmente acessíveis.

Com o avanço da tecnologia têxtil, estuda-se, inclusive, incorporar eletrônicos a tecidos, criando, por exemplo, camisetas que medem os batimentos cardíacos. Mas vamos com calma. Para entender o futuro do setor de vestuário, é preciso conhecer o passado.

A revolução começou lá na década de 1940, quando surgiram as fibras sintéticas. Até então as que existiam eram as naturais e as artificiais.

As naturais, como o algodão, o linho e a lã, são encontradas quase prontas na natureza e têm origem vegetal ou animal. As artificiais, a exemplo da viscose e do bambu, também vêm da natureza, mas precisam ser processadas. Já as sintéticas são derivadas de petróleo – as mais comuns são o poliéster e a poliamida (o famoso náilon).

Embora mais resistentes, as fibras sintéticas daquele tempo não tinham leveza e flexibilidade e não absorviam bem a umidade do corpo.

Até o aparecimentos das microfibras, nos anos 1970. “Com espessura menor que a de um fio de cabelo, elas representam uma espécie de ‘naturalização’ das fibras sintéticas”, explica o engenheiro têxtil André Peixoto, coordenador de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do SENAI CETIQT.

A partir daí, tornou-se mais fácil acrescentar características específicas aos tecidos. “É como uma massa de bolo: você tem uma base e pode ir adicionando outros ingredientes para variar o sabor”, compara Mayra Montel, gerente de marketing da Rhodia, empresa química referência na área de tecnologia têxtil.

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A Patogê é uma das marcas que aposta no Emana, um fio com minerais bioativos que ajudam na redução da celulite e da fadiga muscular. O da foto custa R$ 299,80.

Um dos grandes sucessos da Rhodia atualmente é o Emana, um fio com minerais bioativos que absorvem o calor do corpo e o transforma em raios infravermelhos, que melhoram a circulação sanguínea.

Os principais benefícios são a redução da celulite e da fadiga muscular, por isso algumas marcas de roupas esportivas e calças jeans apostam na tecnologia.

Outros tecidos tecnológicos encontrados no mercado hoje prometem repelência a óleo ou água, resistência a fogo, combatem a odores, repelência a insetos, proteção contra raios UV, regulação térmica e secagem rápida.

O preço, segundo Peixoto, varia de acordo com a propriedade. Em geral, uma peça com repelência a óleo ou água é barata, já as que têm essências são mais caras, pois trata-se de um processo complexo.

No caso do Emana, o valor final do produto é em média 15% a mais que o tradicional, de acordo com Graciela Dayan, criadora da marca de moda fitness For The Win, que aposta na tecnologia.

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A marca de moda fitness For the Win també;m aposta no fio Emana em sua linha de leggings. Já as camisetas da marca combatem o odor. Elas previnem bactérias e microorganismos que causam o mau cheiro e melhoram a transpiração.

Uma vantagem é que a inclusão dos componentes químicos não altera o caimento e a modelagem da roupa. Em raras situações, há alguma alteração no toque.

O desafio agora, na opinião de Peixoto, é acrescentar as mesmas qualidades às fibras naturais. “O poliéster é a fibra mais usada no mundo, mas devemos lembrar que ela vem de um recurso não renovável e precisamos iniciar a busca por alternativas sustentáveis”, diz.

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A marca infantil PUC possui uma linha de roupas com proteção UV, resistente a cloro e água do mar.

Outro desafio é incorporar eletrônicos às roupas para tornar viável a chamada “wearable tech” (tecnologia vestível). Seja para efeitos estéticos, como criar roupas que mudam de cor ou estampa, ou funcionais, como camisetas que medem batimentos cardíacos, a ideia é transformar os tecidos em sensores.

Algumas empresas, caso da gigante de tecnologia Google, começaram a investir em pesquisas para tirar a ideia do papel. “Trata-se da próxima etapa da revolução têxtil, já que os tecidos passarão a ser, de fato, inteligentes e capazes de interagir com o meio externo”, afirma Peixoto.

info: Estadão

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