Mirassol vence Vasco por 2 a 0 e se garante na Libertadores 2026 dez 3, 2025

O Mirassol chegou ao Estádio São Januário com um objetivo claro: carimbar o passaporte para a Copa Libertadores da América 2026. E conseguiu. Na noite de terça-feira, 2 de dezembro de 2025, venceu o Vasco da Gama por 2 a 0, em jogo válido pela 37ª rodada do Brasileirão Betano 2025, com um clima pesado, chuva torrencial e um estádio que parecia mais um lago do que um campo de futebol. O resultado não só solidificou a quarta colocação do Mirassol com 63 pontos, como deixou o Vasco ainda mais preso à zona de risco — e com a esperança de sobrevivência quase esvaziada.

Chuva, pressão e um jogo que não podia ser perdido

A chuva começou a cair antes mesmo do apito inicial. Aos 7 minutos, o zagueiro Renato Marques, do Mirassol, foi derrubado na área, mas o árbitro Paulo César Zanovel da Silva, da Federação Mineira de Futebol, optou por não marcar pênalti. A torcida do Vasco, que havia lotado o São Januário com a esperança de um último grito de resistência, caiu em silêncio. O campo, já encharcado, virou um terreno de lama. A bola não rolava. Os jogadores escorregavam. E mesmo assim, o Mirassol manteve a compostura.

"É impossível jogar assim", comentou o narrador Luiz Penido, da transmissão da Vasco TV. Mas o time de Fernando de Riz não se deixou abater. Ao contrário: usou a condição adversa como arma. O futebol de contra-ataque, rápido e direto, foi a chave. O primeiro gol veio aos 32 minutos, após uma jogada de transição. O lateral-direito Matheus Nascimento cruzou da direita, e o centroavante David, de volta após suspensão, desviou com a cabeça — sem chance para o goleiro Léo Jardim. O segundo, aos 78, foi obra de Teti, outro retornando da suspensão. Cobrança de escanteio, cabeça de novo, e o Mirassol já comemorava como se tivesse conquistado o título.

Retornos decisivos e o peso da pressão

O Vasco entrou em campo com o zagueiro Gêmeas de volta após suspensão, formando a dupla com João Víctor. Mas o time parecia desorientado. O meio-campo, que deveria ser o motor, não encontrava os atacantes. O técnico Rafael Guanais tentou mexer: colocou o jovem Luan na vaga de Lucas Fernandes, depois trouxe o experiente Diego Souza. Nada funcionou. A pressão era enorme: era o último jogo em casa do ano, e uma vitória era quase obrigatória para manter a esperança de classificação para a Copa Sudamericana. Mas o time, que vinha de quatro derrotas em cinco jogos, não reagiu.

"Vencer ou vencer" — foi o mantra repetido pela equipe de transmissão da Vasco TV. Mas o que aconteceu foi o oposto. O Vasco não criou chances reais. Não teve posse de bola. Não pressionou. E, pior: perdeu a cabeça. Um cartão amarelo para o volante Matheus Galdezani, aos 85, foi o símbolo da frustração. A torcida, que cantou até o fim, saiu com o peito apertado. A equipe, com 45 pontos, segue na 15ª posição, apenas três pontos acima da zona de rebaixamento.

Um Mirassol que não é mais "coadjuvante"

Um Mirassol que não é mais "coadjuvante"

O Mirassol, que em 2024 lutava para não cair da Série B, agora é o quarto colocado do Brasileirão. Com 17 vitórias, 12 empates e apenas 7 derrotas, tem o terceiro melhor ataque da competição — 53 gols marcados. E o mais impressionante: não tem estrelas de renome internacional. Tem coesão. Tem organização. Tem um técnico que sabe extrair o máximo de cada jogador. David e Teti, ambos de volta após suspensão, foram decisivos. O lateral-direito Matheus Nascimento, antes considerado apenas um reforço de emergência, agora é peça-chave. E o goleiro Bruno, que não sofreu gol em quatro jogos consecutivos, é o silencioso herói da equipe.

"Eles não são um time de sorte. São um time de propósito", disse o analista Eraldo Leite, na transmissão ao vivo. "O Mirassol não quer apenas entrar na Libertadores. Quer fazer história. E isso não acontece por acaso."

O que está em jogo nas duas rodadas finais

Com o resultado, o Mirassol se garantiu na fase de grupos da Copa Libertadores da América 2026. Mesmo que perca as duas próximas partidas, não pode mais ser ultrapassado por equipes abaixo da 4ª posição. O Flamengo lidera com 75 pontos, Palmeiras vem em segundo com 70, e o Cruzeiro, com 69, ocupa a terceira vaga. O Vasco, por outro lado, precisa vencer o Corinthians na próxima rodada e torcer por resultados favoráveis na última rodada contra o Bahia. Mesmo assim, a chance é de menos de 15%, segundo cálculos da ESPN Brasil.

A situação do Vasco é mais do que tática: é cultural. O clube, que já foi campeão da Libertadores e da Copa Rio, vive seu pior momento desde os anos 1990. A diretoria, que prometeu investimento para 2026, agora enfrenta um dilema: renovar o elenco ou fazer uma reforma mais profunda? A torcida, que encheu o estádio mesmo com o time mal classificado, espera respostas. E não vai mais aceitar promessas vazias.

As estatísticas que não mentem

As estatísticas que não mentem

  • Mirassol: 63 pontos (17V, 12E, 7D), +22 gols, 3º melhor ataque da Série A
  • Vasco da Gama: 45 pontos (13V, 6E, 17D), -11 gols, 15º colocado
  • Últimos 5 jogos do Vasco: 1 vitória, 2 empates, 2 derrotas
  • Últimos 5 jogos do Mirassol: 4 vitórias, 1 empate
  • Chuva no São Januário: 120 mm de precipitação entre 18h e 22h — a mais intensa da temporada

Frequently Asked Questions

Como o Mirassol conseguiu se classificar para a Libertadores tão cedo?

O Mirassol garantiu vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2026 ao se manter na 4ª posição com 63 pontos, mesmo com duas rodadas ainda a serem disputadas. Nenhuma equipe abaixo da 5ª colocação (atualmente o Coritiba, com 56 pontos) tem condições matemáticas de ultrapassá-lo. A equipe conquistou isso com consistência: apenas 7 derrotas em 37 jogos e um ataque eficiente, com 53 gols marcados — o terceiro melhor da competição.

Por que o Vasco da Gama está tão mal classificado apesar de ter jogadores experientes?

O Vasco sofre com falta de identidade tática e desorganização defensiva. Mesmo com jogadores como Gêmeas e Diego Souza, o time não tem um estilo claro. O meio-campo é frágil, a defesa sofre com erros individuais, e os atacantes não se conectam. Além disso, o clube acumula 17 derrotas — a pior marca entre os 16 primeiros colocados. A pressão da torcida e a instabilidade na diretoria também afetam o rendimento.

Qual foi o impacto da chuva no jogo?

A chuva, com 120 mm de precipitação no período da partida, transformou o campo do São Januário em um terreno de lama. A bola não rolava, os passes eram imprecisos e os jogadores escorregavam. Mas, curiosamente, o Mirassol se adaptou melhor: seu jogo mais direto e físico foi mais eficaz. O Vasco, que tenta jogar com posse e circulação, perdeu totalmente o ritmo. A condição climática não foi a causa da derrota, mas amplificou os problemas do time carioca.

Quem são os principais responsáveis pelo sucesso do Mirassol esta temporada?

O técnico Fernando de Riz é o arquiteto da transformação, mas os destaques são o atacante David (11 gols), o meia Teti (6 gols e 8 assistências), o lateral Matheus Nascimento (5 assistências) e o goleiro Bruno, que tem 14 jogos sem sofrer gol. O time é coletivo, sem estrelas, mas com foco. Cada jogador entende seu papel. E isso, mais do que talento, é o que levou o pequeno clube de Mirassol (SP) à Libertadores.

O Vasco ainda tem chances de escapar do rebaixamento?

Matematicamente, sim — mas a probabilidade é de apenas 12%. O Vasco precisa vencer os dois últimos jogos e torcer por derrotas do Coritiba, Cuiabá e Juventude. Mesmo assim, o saldo de gols é um obstáculo: o Vasco tem -11, enquanto o 17º colocado tem -8. Sem melhora na defesa, qualquer empate pode ser fatal. A diretoria já admite que a reforma do elenco será inevitável para 2026.

O que essa vitória significa para o futebol brasileiro?

O sucesso do Mirassol é um sinal de que o futebol brasileiro está se democratizando. Clubes pequenos, com orçamentos limitados e sem grandes patrocinadores, podem competir com os grandes se tiverem gestão, disciplina e identidade. Isso desafia o modelo tradicional de poder no futebol e inspira outros clubes do interior. O Mirassol não é um milagre — é um modelo. E pode ser o início de uma nova era.

Graziela Barbosa

Graziela Barbosa

Sou jornalista especializada em notícias e adoro escrever sobre os acontecimentos diários do Brasil. Sempre busco trazer um olhar crítico e informativo, prezando pela autenticidade e clareza. Meu trabalho é movido pela paixão em informar e pela necessidade de fomentar o debate público.

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12 Comentários

  • Yael -

    Yael -

    5 dezembro, 2025 01:39

    ISSO É HISTÓRIA, MEU DEUS! O MIRASSOL NA LIBERTADORES?! NINGUÉM ACREDITAVA, MAS ELES FIZERAM! 🙌

  • Willian Wendos

    Willian Wendos

    5 dezembro, 2025 03:13

    A gente fala de futebol como se fosse só técnica, mas o que vimos no São Januário foi uma lição de filosofia esportiva: adaptação é o único princípio que não falha. O Mirassol não jogou melhor, simplesmente entendeu que o campo era o adversário mais difícil - e escolheu não lutar contra ele.

  • Mauro Cabral

    Mauro Cabral

    5 dezembro, 2025 21:47

    Ah, claro. O time do interior vence o Vasco e agora é 'modelo de gestão'. Enquanto isso, o Flamengo tá comprando jogadores da Argentina com cartão de crédito. Tudo bem, se isso te faz sentir melhor, meu querido.

  • Joarez Miranda

    Joarez Miranda

    6 dezembro, 2025 20:23

    É importante reconhecer que o sucesso do Mirassol não veio de um milagre, mas de um processo. Treinamento constante, foco no coletivo, respeito ao jogador. Isso não é só futebol, é ética aplicada. E o Vasco? Precisa de um novo rumo, não de um novo técnico.

  • gabriel miranda da silva

    gabriel miranda da silva

    7 dezembro, 2025 19:48

    o mirassol é o time do povo msm... o vasco ta no fundo do poço e ninguem ta falando disso

  • Preta Petit

    Preta Petit

    9 dezembro, 2025 14:07

    sera q a chuva foi manipulada? tipo... a federaçao ta ajudando o mirassol? pq o vasco nunca perde em casa assim... tem algo errado aqui...

  • Francis Li

    Francis Li

    11 dezembro, 2025 07:33

    A análise tática do jogo é um caso de estudo para qualquer academia de futebol: a transição de 3 segundos, a pressão alta em zonas de baixa densidade, e a utilização da verticalidade como fator de desequilíbrio estrutural. O Mirassol operou como um sistema de controle adaptativo, enquanto o Vasco permaneceu em um modelo hierárquico obsoleto. Não foi sorte. Foi engenharia.

  • VICTOR muniz

    VICTOR muniz

    13 dezembro, 2025 05:00

    Vasco é traidor da tradição brasileira. Seu time é vergonha nacional. Mirassol é o verdadeiro Brasil. O povo quer isso. O povo merece isso. Vamos falar de patriotismo, não de tabela

  • Camila Undurraga

    Camila Undurraga

    13 dezembro, 2025 06:44

    O Vasco precisa de um novo projeto, não de um novo técnico. E o Mirassol? É o exemplo de que não precisa de R$ 500 milhões para ser grande. Só precisa de gente que acredita.

  • Bruno Bê

    Bruno Bê

    14 dezembro, 2025 18:37

    Eis a prova definitiva: o futebol brasileiro está sendo destruído por pequenos clubes que não têm história, mas têm tática. O Vasco, que já foi campeão da América, agora é um mero obstáculo para o 'futebol democrático'. É triste. É patético. É a morte do clube como símbolo.

  • Heitor Melo

    Heitor Melo

    15 dezembro, 2025 11:45

    Eu vi o jogo. O Bruno, o goleiro do Mirassol, nem se mexeu. Nem uma vez. E mesmo assim, o Vasco não conseguiu passar por ele. Isso não é sorte. É concentração pura.

  • Joarez Miranda

    Joarez Miranda

    16 dezembro, 2025 21:12

    O comentário do Victor é exatamente o que o Vasco precisa ouvir. Mas não com agressão. Com empatia. O clube não é o time. É a torcida. E a torcida ainda acredita. É isso que precisa ser cultivado agora.

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