A realidade bateu à porta novamente para o governo atual. Um novo levantamento do AtlasIntel e Bloomberg, divulgado nesta quinta-feira, dia 26 de fevereiro de 2026, traz números que os assessores presidenciais não querem ver: mais da metade da população acha que a segurança sob Jair Bolsonaro, ex-presidente era superior ao que vivemos agora.
O cenário é claro. Enquanto 53% avaliam o mandato de 2019 a 2022 como melhor para lidar com o crime, apenas 34% dizem a mesma coisa sobre a gestão atual de Lula, presidente. É uma margem confortável para quem planeja a campanha eleitoral de outubro. A pesquisa ouviu quase cinco mil eleitores recrutados digitalmente entre os dias 19 e 24 deste mês. O tom é de insatisfação profunda.
O cenário de insegurança nacional
Quando perguntamos diretamente sobre o nível de criminalidade, a resposta unânime foi assustadora. Cerca de 88,4% dos entrevistados sentem que o crime no país está alto ou muito alto. Imagine sair de casa e ter esse receio. Isso pesa. E pesa muito na balança política. A avaliação direta da gestão atual é ainda mais dura: somando as notas "ruim" e "muito ruim", temos 53% de desaprovação específica na área de segurança. Apenas 30,6% veem algo positivo.
O que chama atenção aqui não são só os números brutos, mas a sensação de abandono. A pesquisa mostra que, para a maioria absoluta dos brasileiros, a segurança deixou de ser um problema menor e virou prioridade máxima. E não adianta culpar só o vizinho. Quando se trata de coordenação, 54,5% dos cidadãos apontam o dedo para o governo federal. Ou seja, a culpa é vista principalmente nos palanques nacionais, não apenas nas prefeituras locais.
Quem é responsável pela segurança?
Há um mal-entendido histórico sobre onde cai a responsabilidade final. No Brasil, muita gente confunde os níveis de gestão. O levantamento indica que 46,4% dos respondentes acreditam que o estado deve gerir isso, enquanto 41% entendem que é responsabilidade compartilhada. Poucos, apenas 1,7%, acham que cabe ao Governo Federal a função principal. Essa desconexão é perigosa para o planejamento público.
Surge aqui um paradoxo interessante: o povo joga a culpa da falta de organização para Brasília, mas quer que São Paulo ou Rio de Janeiro resolvam o crime na rua. Essa expectativa cruzada dificulta qualquer política nacional integrada. Além disso, dados anteriores, como os de outubro de 2025 apresentados pelo Jovem Pan, já apontavam essa tendência. Naquele momento, 50% dos brasileiros já viam a performance de Lula como ruim ou péssima em segurança pública, mantendo a pressão constante ao longo do ano.
O impacto nas eleições de 2026
Chegaremos às urnas em outubro com o clima pesado. A segurança não será o único tema, claro. Mas será central. Quase nove em cada dez brasileiros disseram que a preocupação influencia seus votos. O dado é preciso: 91,5% responderam afirmativamente à questão sobre influência decisiva. Para 27,6%, políticas contra o crime são fator determinante.
Essa dinâmica muda tudo na estratégia partidária. O PT precisa recuperar terreno rápido antes que o estouro eleitoral chegue. Há outro ponto crucial que complica a vida do Planalto. Uma pesquisa do Exame, feita em 24 de março de 2026, mostrou que a aprovação geral do presidente subiu para 51,2%. Porém, a segurança continua sendo o calcanhar de Aquiles. Só existe vantagem de 1 ponto percentual em comparação ao legado de Bolsonaro nesse setor específico. Em economia ou relações internacionais, a diferença é maior, mas lá no asfalto, a disputa está trancadinha.
Dados contraditórios e a percepção pública
Nenhum número vive no vácuo. É preciso contextualizar essas oscilações de popularidade. Às vezes, o sentimento de segurança depende muito da região e da violência visível nas cidades grandes. O que a pesquisa de fevereiro mostra é um sentimento consolidado de medo. O fato de que 49,6% consideram a criminalidade "muito alta" sugere que, independentemente dos relatórios oficiais, a vivência cotidiana é de risco.
Estamos vendo uma desconstrução da imagem de governança. Se o eleitor sente que a segurança não melhora, a confiança no resto do projeto político também treme. Não se trata apenas de prender criminosos; é sobre a ordem pública básica. A análise sugere que, sem mudança perceptível até junho, o segundo turno eleitoral pode girar inteiramente em torno da bandeira da segurança.
Perguntas Frequentes
Como a metodologia da pesquisa AtlasIntel garante representatividade?
A pesquisa entrevistou 4.986 eleitores brasileiros recrutados digitalmente entre 19 e 24 de fevereiro de 2026. Amostras digitais podem sofrer viés demográfico, mas a plataforma utiliza modelos estatísticos para ponderar idade, gênero e localização geográfica para espelhar a TSE.
Qual o peso real da segurança no voto do brasileiro?
Para 91,5% dos entrevistados, a questão influencia a decisão. Embora a maioria veja como importante mas não exclusivo, quase 30% colocam o combate ao crime entre os principais fatores determinantes para a escolha do candidato em 2026.
A aprovação geral de Lula reflete a insatisfação com a segurança?
Não exatamente. Em março de 2026, a aprovação global estava em 51,2%. Contudo, a segurança permanece o setor onde a vantagem sobre o predecessor é mínima, com diferença de apenas 1 ponto percentual na comparação direta de desempenho.
Por que os eleitores atribuem a responsabilidade aos estados?
Há uma visão cultural de proximidade. 46,4% associam a segurança aos governos estaduais por causa da polícia militar estadual, embora 54,5% culpem a união pela falha na coordenação geral e financiamento do sistema.